Split payment não começa em janeiro de 2027
O split payment não estará disponível em janeiro de 2027, quando começam a cobrança da CBS e do IBS. Entenda o que é o mecanismo, por que foi adiado e o que isso muda — e o que não muda — para o caixa da sua empresa.
O split payment é uma das novidades da reforma tributária que mais preocupa o dono de pequena empresa. Em agosto de 2026, o Comitê Gestor do IBS informou que o mecanismo não estará disponível em janeiro de 2027, quando começam a cobrança efetiva da CBS e do IBS. Este texto explica, em linguagem simples, o que é o split payment, o que foi anunciado, por que foi adiado e o que isso significa na prática para o caixa do seu negócio.
O que é split payment, em linguagem simples
Split payment é a separação automática da parcela dos tributos no momento em que a operação é liquidada — ou seja, no instante em que o pagamento é efetivado. Em vez de a empresa receber o valor total da venda e depois recolher o imposto na data de vencimento, a parte correspondente aos tributos é separada e enviada direto para o órgão arrecadador no próprio ato do pagamento.
É como se, a cada venda, a fatia do imposto saísse do caixa automaticamente, sem esperar o dia de pagar. O nome vem do inglês: "split" é separação, e "payment" é pagamento — pagamento separado.
O ponto central, que vale reforçar desde já: o split payment age sobre o momento em que o dinheiro sai do caixa, não sobre o valor do imposto. A conta a pagar é a mesma; o que muda é quando ela vence.
O que foi anunciado
A informação de que o split payment não começará em janeiro de 2027 foi dada por Pricilla Santana, secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul e segunda vice-presidente do Comitê Gestor do IBS. A notícia foi confirmada por veículos como Gazeta do Povo, Convergência Digital e Portal Contábeis em agosto de 2026.
Em resumo:
- o split payment não estará disponível em janeiro de 2027, quando começa a cobrança efetiva de CBS e IBS;
- o novo prazo não foi divulgado;
- o mecanismo não foi abandonado — a previsão é que venha depois, numa primeira etapa de forma opcional e voltada a operações entre empresas;
- enquanto não estiver disponível, outras modalidades de recolhimento previstas na regulamentação poderão ser utilizadas.
Por que foi adiado
O motivo, segundo o Comitê Gestor, é a complexidade da implantação. As instituições financeiras pediram prazo adicional para se adequar à separação automática dos tributos no momento da liquidação. Como o split payment depende da infraestrutura bancária e de pagamento para funcionar, o pedido foi acolhido e o início foi postergado — sem data nova anunciada.
O que isso significa na prática para o caixa da empresa
Para o dono de pequena empresa, o adiamento traz um alívio concreto: mais fôlego de capital de giro. Sem o split payment, a empresa continua recebendo o valor integral da venda e recolhendo o imposto na data de vencimento habitual, como faz hoje. O dinheiro do imposto permanece no caixa por alguns dias a mais, até o momento do recolhimento.
É importante entender, porém, que o adiamento não cancela a mudança. O split payment não foi abandonado, apenas adiado. A expectativa é que venha depois, numa primeira etapa opcional e voltada a operações entre empresas (B2B). Ou seja, a preparação para o mecanismo segue no horizonte — só não será exigida de imediato.
Em termos práticos, isso significa:
- não há cobrança automática no ato do pagamento em janeiro de 2027;
- a empresa continua recolhendo CBS e IBS por outras modalidades previstas na regulamentação;
- o planejamento de caixa pode manter, por ora, a lógica atual de separar o dinheiro do imposto e pagar no vencimento;
- vale acompanhar a regulamentação, porque o split payment volta à pauta em etapa posterior.
O que continua valendo em 2027
O adiamento do split payment não altera o calendário da reforma. A partir de 2027:
- a CBS substitui PIS e Cofins;
- o IBS inicia a substituição gradual de ICMS e ISS, com transição progressiva até 2032.
Ou seja, os tributos mudam de nome e de lógica de cálculo, e a transição começa no prazo previsto. O que fica para depois é apenas o mecanismo de separação automática no pagamento — não a reforma em si.
Perguntas frequentes
O imposto vai ser menor sem o split payment?
Não. O split payment não define o valor do imposto, apenas o momento em que ele é recolhido. Sem o mecanismo, a empresa paga o mesmo tributo, só em outra data de vencimento.
Preciso fazer alguma alteração no meu sistema agora?
O adiamento é apenas do split payment — o mecanismo de separação automática no pagamento. Ele não afeta a obrigatoriedade de preencher os campos de IBS e CBS nos documentos fiscais eletrônicos, que já está vigente para o regime normal (Lucro Real e Lucro Presumido) e está prevista para o Simples Nacional, as empresas em sublimite e o MEI a partir de 1º de janeiro de 2027. Sobre esses campos, vale ler o artigo Nota fiscal do Simples Nacional: o que muda em janeiro de 2027. Quanto ao split payment em si, como ele não começa em janeiro de 2027, não há necessidade imediata de ajustar o sistema de recebimento para a separação automática. Vale acompanhar a regulamentação, porque o mecanismo volta à pauta em etapa posterior, de forma opcional e voltada a operações entre empresas.
Se o split payment é opcional depois, minha empresa pode nunca usá-lo?
A primeira etapa prevista é opcional e voltada a operações entre empresas. A obrigatoriedade geral, se houver, será definida na regulamentação futura. Por enquanto, o acompanhamento das regras é a recomendação.
O adiamento muda o início da CBS e do IBS?
Não. O adiamento é só do split payment. A CBS passa a substituir PIS e Cofins e o IBS inicia a substituição gradual de ICMS e ISS a partir de 2027, conforme o cronograma da reforma.
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