Sai PIS e COFINS, entra a CBS: o que muda em janeiro
O percentual da CBS, a contribuição federal que substitui o PIS e a COFINS, foi calculado em 11,3% no fim de outubro. A cobrança começa em 1º de janeiro de 2027, e a nota emitida em janeiro já sai com o novo tributo. Para quem está no Lucro Presumido ou no Lucro Real, a conta do caixa muda. Para quem está no Simples, a guia continua a mesma — mas há um ponto que atinge quem vende para outras empresas.
O que mudou
O Tribunal de Contas da União concluiu, no fim de outubro, o cálculo do percentual da CBS — a contribuição federal que vai ocupar o lugar do PIS e da COFINS. O número apurado foi de 11,3%.
Esse percentual ainda não é definitivo. O Senado tem até 15 de dezembro de 2026 para confirmá-lo. Se não votar até essa data, o número calculado passa a valer do mesmo jeito.
A partir de quando
Em 1º de janeiro de 2027 o PIS e a COFINS deixam de existir. A primeira nota emitida no ano já sai com a CBS no lugar deles.
Não é período de teste. O teste aconteceu em 2026, com percentuais simbólicos que eram compensados. Em 2027 a cobrança é real e substitui de fato os tributos anteriores.
Quem é atingido
Lucro Presumido. Hoje a empresa paga 3,65% sobre o faturamento e não aproveita nada do que compra. Em 2027 passa a recolher a CBS e a descontar crédito de tudo o que comprar com tributo destacado na nota. O resultado depende inteiramente de quanto a empresa compra de fornecedor que gera crédito. Indústria e comércio, que compram insumo e mercadoria tributados, recuperam boa parte. Empresa que vende basicamente mão de obra e conhecimento tem pouco a descontar.
Lucro Real. Já convive com crédito hoje, mas sobre uma lista restrita de itens. Na CBS o crédito é mais amplo, o que costuma aproximar o custo efetivo do que a empresa já paga.
Simples Nacional. A guia não muda. A CBS entra no lugar da parcela que hoje é de PIS e COFINS dentro do documento único, e o percentual do anexo continua o mesmo.
O ponto para quem está no Simples é outro, e aparece na relação com o cliente. A partir de 2027, quem compra de uma empresa do regime normal aproveita o valor cheio do tributo como crédito. Quem compra de uma empresa do Simples aproveita apenas o que está dentro da guia única, que é bem menos. Para quem vende a consumidor final isso não tem efeito nenhum. Para quem vende a outras empresas, pode significar perder na comparação de preço mesmo cobrando igual.
Existe uma escolha para esse caso: a empresa do Simples pode optar por recolher a CBS por fora da guia única, passando crédito cheio ao cliente. Em troca, paga o tributo direto. A opção é feita em janelas ao longo do ano e pode ser revista.
O que você precisa fazer
- Levante de quem você compra. Separe quanto das suas compras vem de empresa que destaca tributo na nota. Compra de pessoa física, de empresa do Simples e folha de pagamento não geram crédito.
- Levante para quem você vende. Cliente empresa e consumidor final reagem de forma oposta à mudança.
- Revise os contratos que atravessam o ano. Contrato fechado em 2026 que continua valendo em 2027 precisa dizer quem absorve a diferença.
- Se está no Simples e vende para empresa, acompanhe as janelas de opção. A próxima vai de 1º a 31 de março de 2027 e vale para o segundo semestre.
O que pode dar errado
Comparar 3,65% com 11,3% direto. Esse é o erro que mais vai circular nos próximos meses. PIS e COFINS são calculados por dentro do preço — estão embutidos no valor que você já cobra. A CBS é cobrada por fora, somada ao preço na nota. São bases diferentes, e colocar os dois percentuais lado a lado leva a conclusão errada.
Esquecer o crédito. Olhar só o percentual e ignorar o que entra de volta produz um susto que não corresponde ao caixa. Para quem compra muito insumo tributado, o custo efetivo fica bem abaixo do número cheio.
Tratar o percentual como fechado. Até 15 de dezembro ele pode mudar. Quem reprecificar agora com base em 11,3% pode ter que refazer a conta.
Deixar a janela passar, no Simples. Quem vende para empresa e não avalia a escolha a tempo fica seis meses no caminho que pode não ser o melhor para o seu caso.
Perguntas frequentes
Vou pagar mais imposto?
Depende de quanto a sua empresa compra de fornecedor que gera crédito. Quem compra muito insumo tributado tende a sentir pouco. Quem vende serviço com custo concentrado em folha sente mais. Não existe resposta igual para duas empresas.
Estou no Simples. Muda alguma coisa pra mim?
A sua guia não muda em 2027. O que pode mudar é a sua posição diante de um cliente que seja empresa, porque ele passa a comparar fornecedores pelo crédito que recebe.
Preciso mudar meu preço?
Só depois de fazer a conta com os seus números. Mudar preço com base no percentual cheio, sem considerar o crédito e sem separar o que é por dentro do que é por fora, costuma errar nos dois sentidos.
Isso já está valendo?
Não. Começa em 1º de janeiro de 2027. O percentual é confirmado até 15 de dezembro de 2026.
Faça a conta da sua empresa
Dá para ter uma ideia do impacto em um minuto: o simulador de impacto da CBS compara o que você paga hoje com uma estimativa para 2027, considerando o crédito sobre as suas compras.
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Fontes
Conteúdo informativo. Não substitui análise do caso concreto.